Teste de Tom

Este teste é apenas para entretenimento, não constitui triagem médica, diagnóstico ou orientação terapêutica.

Este teste mede qual diferença de tom tão pequena seu ouvido consegue detectar. Você vai ouvir dois tons curtos, um após o outro, ambos perto de 440Hz, a nota em que as orquestras afinam. Um é um pouco mais agudo.

Sua tarefa é dizer qual tom foi mais agudo. A cada acerto, a diferença entre os dois diminui, então fica mais difícil. Sua pontuação é a menor diferença, em hertz, que você ainda conseguiu distinguir.

O que o teste de tom mede

Este teste mede a sua discriminação de frequência, a menor mudança de tom que você percebe de forma confiável. Os cientistas da audição chamam isso de limiar diferencial de frequência. Moore (1973) mostrou que o ouvido é notavelmente preciso no centro da sua faixa, exatamente onde este teste fica. Ancoramos os dois tons perto de 440Hz, o lá em que as orquestras afinam, porque ali o ouvido está quase no seu melhor e a nota é familiar. O teste não pergunta se você consegue ouvir um som, mas com que finura você compara dois sons quase iguais. É uma pergunta mais afiada. Duas pessoas com audição igualmente boa num audiograma padrão ainda podem diferir muito em qual diferença tão pequena resolvem, porque a habilidade depende de com que limpeza o cérebro lê o sinal que o ouvido envia, e não só de o som chegar.

Como o ouvido separa dois tons

Dentro da cóclea, um tubo enrolado do ouvido interno, fica a membrana basilar. Ela é afinada ao longo do comprimento: as frequências altas vibram perto da entrada e as baixas lá no fundo, de modo que cada tom acende o seu próprio lugar. Essa codificação por lugar dá uma primeira estimativa grosseira da frequência. Mas o lugar sozinho é cru demais para explicar o quanto ouvimos fino, então o ouvido usa um segundo recurso. As células ciliadas disparam no ritmo da onda sonora, um processo chamado trava de fase, de modo que a temporização dos impulsos nervosos carrega a frequência diretamente. Sek e Moore (1995) mostraram que, para tons de até alguns milhares de hertz, esse código temporal domina o julgamento fino de tom, e por isso a discriminação é tão aguda em 440Hz e se desfaz mais acima, onde a trava de fase enfraquece. Ao comparar dois tons, o cérebro lê os dois códigos, lugar e tempo, e decide qual soou mais alto. Uma diferença pequena pede que ele divida um fio muito fino, e o quanto ele consegue é o que este teste pontua.

Quais fatores influenciam

A maior variação costuma vir do seu equipamento e do ambiente, não dos seus ouvidos. Fones vencem caixas, um ambiente silencioso vence um barulhento e um volume sensato vence um fraco, porque cada pingo de ruído de fundo ou coloração da caixa borra a comparação. O próximo grande fator é a formação musical: quem afina instrumentos ou canta afinado resolve diferenças menores, algo que Kishon-Rabin e colegas (2001) mediram diretamente entre músicos e não músicos. A idade também conta, embora menos do que você imagina nesta frequência, já que a perda ligada à idade morde com mais força bem acima de 440Hz. Por fim, a prática importa: a discriminação de frequência é muito treinável, então algumas tentativas honestas costumam vencer um primeiro teste a frio. Faça o teste no mesmo equipamento sempre, se quiser comparar seus resultados com justiça.

O que a sua pontuação significa

Sua pontuação é a menor diferença, em hertz, que você ainda conseguiu distinguir perto de 440Hz, então um número mais baixo é um ouvido mais fino. Leia estas faixas como níveis aproximados tirados da literatura, não como percentis exatos de população, que não existem para esta habilidade.

  • Abaixo de 1Hz é excepcional, a faixa dos músicos profissionais e dos ouvidos treinados. Resolver uma diferença tão fina exige bom ouvido e muita prática.
  • De 1 a 3Hz é muito bom, típico de um adulto jovem e saudável que ouve com atenção, e comum em quem tem alguma formação musical.
  • De 3 a 5Hz é a faixa típica e média para um adulto com equipamento de consumo num ambiente comum. A maioria cai aqui.
  • De 5 a 10Hz está abaixo da média nesta tarefa. Costuma apontar para caixas em vez de fones, um ambiente barulhento ou um volume baixo, e não para algo nos seus ouvidos.
  • Acima de 10Hz normalmente diz mais sobre o equipamento que sobre o ouvinte. A qualidade dos fones ou das caixas, o ruído de fundo, um volume baixo ou um celular no silencioso empurram o número até aqui, e um teste barulhento de navegador pode pontuar mal mesmo em alguém de audição normal. Tente de novo com fones num ambiente silencioso.

Os níveis vêm da literatura sobre discriminação de frequência (Moore 1973; Sek e Moore 1995; Kishon-Rabin e colegas 2001), apresentados como faixas aproximadas e não como percentis precisos. Uma única rodada é só uma foto, então guarde a sua melhor marca honesta, e não um primeiro teste distraído.

Perguntas

Devo usar fones ou caixas de som?

Para este teste os fones são melhores. Ficam mais perto do tímpano, cortam os reflexos do ambiente e mantêm o nível dos dois tons igual, que é exatamente o que o julgamento fino de tom precisa. As caixas do notebook ou do celular dão para usar, mas perdem grave, acrescentam ressonâncias próprias e deixam o ambiente interferir, então o mesmo ouvido costuma dar um limiar um pouco mais grosseiro na caixa do que com um fone decente. Se usar caixas, sente perto e mantenha o ambiente em silêncio.

Músicos são mesmo melhores nisso?

Na média sim, e a diferença é bem documentada. Kishon-Rabin e colegas (2001) compararam músicos e não músicos e viram que os músicos resolviam diferenças de frequência claramente menores, e ouvidos treinados muitas vezes ficam abaixo de um hertz nessa faixa. O motivo é a prática, não um ouvido diferente. Anos afinando instrumentos, igualando intervalos e ouvindo de forma crítica refinam a leitura que o cérebro faz do sinal que a cóclea envia. Não é preciso ser profissional para ir bem, mas se você afina o violão de ouvido, espere um limiar mais fino que o de quem nunca faz isso.

Como a discriminação de tom muda com a idade?

Tende a ficar um pouco mais grosseira com os anos, mas mais devagar do que se teme. A perda auditiva ligada à idade (presbiacusia) afeta principalmente sons bem acima de 440Hz, então um teste de tom na faixa média como este é bastante tolerante. O que muda mesmo é o processamento temporal fino que o cérebro usa para fixar uma frequência, que desacelera um pouco ao longo das décadas. Um ouvinte mais velho treinado ainda vence um jovem sem treino, porque aqui a prática pesa mais que a idade.

Vai funcionar no meu iPhone no modo silencioso?

Não. A chave física de silêncio na lateral do iPhone silencia o áudio da web, e não há jeito confiável de uma página contornar isso. Se você não ouvir nada, desligue a chave lateral, aumente o volume pelos botões e use o teste de som da tela inicial para confirmar que ouve o tom de referência antes da parte pontuada. A verificação prévia existe justamente para que um aparelho mudo não vire uma pontuação ruim.

A discriminação de tom melhora com a prática?

Sim, e mais rápido do que quase todo mundo espera. A discriminação de frequência é uma das habilidades auditivas mais treináveis: até algumas sessões focadas reduzem de forma mensurável a menor diferença que um ouvinte detecta, e é por isso que apps de treino auditivo funcionam. A melhora é verdadeira, mas tem teto, então não espere cair de dez hertz para meio numa noite. Faça o teste algumas vezes e seu limiar honesto provavelmente vai assentar um degrau abaixo.

Este teste diagnostica perda auditiva?

Não. Isto é um parâmetro para se divertir, não uma triagem médica. Ele checa uma única habilidade estreita, distinguir dois tons da faixa média, no aparelho e no ambiente em que você estiver. Um café barulhento, fones baratos, um celular com volume baixo ou uma chave no silencioso podem dar uma pontuação ruim a alguém de audição perfeita. Um teste auditivo de verdade usa equipamento calibrado numa cabine silenciosa. Se você está preocupado com sua audição, procure um fonoaudiólogo; não tire nenhuma conclusão médica de um jogo de navegador.